A queda repentina e intensa de cabelos costuma causar grande impacto emocional. Muitas pessoas percebem essa alteração algumas semanas após infecções, períodos de estresse intenso ou após o parto. Na maioria dos casos, esse quadro está relacionado ao eflúvio telógeno.
Embora seja uma condição comum e geralmente reversível, o eflúvio telógeno exige avaliação profissional para um diagnóstico preciso e para a definição do tratamento mais adequado.
O que é o eflúvio telógeno
O ciclo capilar é composto por três fases principais: anágena, de crescimento; catágena, de transição; e telógena, de repouso e queda. No eflúvio telógeno ocorre uma antecipação anormal da fase telógena, fazendo com que um grande número de fios entre em queda ao mesmo tempo.
Essa queda é difusa, distribuída por todo o couro cabeludo, e pode levar à perda de até 300 fios por dia. Embora não provoque falhas localizadas, a redução do volume capilar é perceptível e costuma gerar preocupação.
De acordo com Whiting, o eflúvio telógeno é o distúrbio mais comum do ciclo do cabelo e pode persistir por alguns meses ou até mais de um ano, dependendo da continuidade do fator desencadeante.
Principais causas do eflúvio telógeno
Diversos fatores podem interferir no ciclo capilar e desencadear o eflúvio telógeno.
Infecções virais, como a Covid-19, estão entre as causas mais recentes e bem documentadas. Estudos mostram que a infecção por SARS-CoV-2 pode provocar queda capilar entre um e três meses após o quadro agudo, associada ao estresse fisiológico, à inflamação sistêmica e às alterações metabólicas.
O pós-parto é outra causa frequente. Durante a gestação, há maior retenção dos fios na fase de crescimento. Após o parto, a queda abrupta dos níveis de estrogênio leva à liberação sincronizada desses fios, caracterizando o eflúvio telógeno pós-gravídico, que costuma se resolver entre seis e doze meses.
O estresse físico ou emocional intenso, como cirurgias, luto, exaustão ou eventos traumáticos, também pode interferir diretamente no ciclo capilar, com queda significativa semanas após o evento.
Deficiências nutricionais, especialmente de ferro, zinco, proteínas, vitamina D e vitaminas do complexo B, são causas reconhecidas de eflúvio telógeno crônico. Além disso, o uso ou a suspensão de determinados medicamentos, como antidepressivos, anticoagulantes e retinoides, pode impactar o funcionamento do folículo piloso.
Diagnóstico: quando buscar avaliação especializada
Apesar de ser uma condição benigna, o eflúvio telógeno pode se confundir com outras formas de alopecia, como a alopecia androgenética ou a alopecia areata. Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas na percepção da queda.
A avaliação clínica detalhada, associada à tricoscopia e, quando necessário, a exames laboratoriais, é fundamental para identificar a causa da queda e orientar corretamente o tratamento.
Tratamento do eflúvio telógeno
O tratamento do eflúvio telógeno depende diretamente do fator desencadeante. Em geral, envolve a correção da causa principal, como reposição de ferro em casos de deficiência, controle do estresse, ajustes hormonais ou adequação medicamentosa.
A suplementação nutricional direcionada pode ser indicada, assim como o uso de loções tópicas com ativos como cafeína, minoxidil, niacinamida e peptídeos. Terapias de suporte, como fotobiomodulação, ILIB, microagulhamento e outros protocolos capilares personalizados, podem auxiliar na retomada do crescimento.
Na maioria dos casos, o crescimento capilar é restabelecido de forma gradual após a resolução da causa. A paciência e o acompanhamento profissional são fundamentais, pois o ciclo do cabelo demanda tempo para se normalizar.
Conclusão
O eflúvio telógeno é uma resposta do organismo a situações de desequilíbrio físico, emocional ou hormonal. Embora seja temporário, requer atenção para evitar agravamentos e garantir a recuperação plena da saúde capilar.
Se você está enfrentando uma queda intensa de cabelos, buscar avaliação especializada é o passo mais seguro para entender a causa e conduzir o tratamento de forma eficaz e tranquila.